sábado, 30 de outubro de 2010

Século XXI



Como falar de amor
nessa era tão vendida?
Tão infame, tão bandida?


Amor para os pobres é banal,
para os românticos, imortal.
Pobres sim, mas de espírito.
Os ricos veem além do visto.

Meu irmão consegue dizer não
para as coisas do coração.
Minha irmã, pobrezinha,
nem sabe o que se faz na linha.

Alienados e baratos.
Loucos, porém sensatos.
Grupos, um diferente do outro:
aquele acredita no material e no carnal,
esse ainda é sentimental.


Medo, pois tenho eu
do amor acabar.
da vida ser vazia
(espero que não seja a minha).

Medo, pois tenho eu
de não aprender nenhuma lição,
de não ter o que passar da vida
para outra geração.

Quero a felicidade e o bem-estar,
quero ver os jovens a caminhar
numa luta pelo amor e pela paz.
Quero ver vida nos olhos dos mortais.

Quero uma vida cheia de emoção.
Que sofra! Mas que seja completa, então.
Que se desviar do sofrimento,
é se desviar do crescimento.

Quero que o mundo faça sentido.
Quero que meus netos saibam disto:


que a vida é próspera e bela,
mas que a beleza é mais simples do que se espera.

sábado, 14 de agosto de 2010

-

Olá
Velho amigo;
Velho lindo;
Velho tudo.

Alô
Velho irmão;
Velho velho;
Velho novo;
Velho, então.

Tchau
Velho sorriso;
Velho riso;
Velha emoção.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Despedida

                Deixei lá amigos, irmãos e vizinhos, isso tudo pra caminhar sozinho.
                Deixei pra trás tudo que a vida traz: paisagens e animais.
                Deixei sorrindo e chorando, pais orgulhosos, e fui andando.
                Fui contente para outro ambiente, mas com uma dor no peito que me dá medo.
                Aqui estou porque quis e pra onde vou serei feliz.
                Aos pais, agradeço pelo apoio, pela vida, sabedoria e compreensão. Aos amigos mando beijos do fundo do coração. A família, meu todo respeito e consideração. Às filhas mando carinho, desejo bons caminhos e um passado de lição.
                E a todos que passaram por minha vida: obrigado por terem feito parte da minha história, nem que por apenas alguns minutos, pois segundos já fazem a diferença.

Foto: Despedida, de Sérgio Guerra

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Amor, decepções e traumas.

Amor, visão I: sentimento puro, inocente, ingênuo, que te deixa sem razão, com nervosismo, que contém confissões, entrega, carinho, companheirismo, fidelidade, lealdade. Amor que nos envolve, consome, faz com que vivemos na fantasia de amar. Amor infantil, amor dos contos de fada. Aquele que você pode amar sozinho, que pode ser platônico e ainda ser amor.

Decepção I: o tempo passa e vamos percebendo que todo aquele maravilhoso mundo do amor da Cinderela não passa de mero mito infantil, que quando crescemos some junto com o papai-noel e o bicho-papão. Primeira decepção: abrimos os olhos e vemos que o mundo não é perfeito, nem que você tenha a visão I do amor dentro de te.

Decepção II: aquela pessoa por quem você lutou, chorou, morreu de amor, sofreu, não é a mesma? Holograma bem elaborado pelo indivíduo ou ilusão sua? Há seres racionais que pensam que aquela criatura com quem está não tem defeitos (pois digo: os tem e vêm juntos com as qualidades). Se for você que está se iludindo ou a pessoa que está fazendo com que você se iluda, mostrando ser outro alguém, um dia você percebe e... Segunda decepção.

Decepção III: ainda há aqueles que são traídos, enganados e juram que estão sendo amados e correspondidos. E quando descobrem: decepção nível III, considerada uma das piores decepções e armadilhas do amor de visão I. Chega ela toda faceira e sensual, atraente e amarga: TRAIÇÃO (inimiga mortal do homem, por ferir seu ego, seu orgulho e quebra todas as crenças do amor de visão I).

Traumas: depois das decepções vividas e enfrentadas vêm os traumas que podem se estender por anos. Os traumatizados reagem a eles de diferentes modos: podem agir de forma depressiva, regada a álcool, drogas e sentimentos suicida; de modo blasé, agindo totalmente indiferente como se nada tivesse acontecido ou transformado a sua vida; e a forma mais “trash” e mais usual para sarar um “Love Hurt”*: encontrar um novo amor, pra por no lugar do antigo, mas não é tão simples e tão direcional quanto as minhas palavras pareceram, é procurar em alguém (qualquer um que não seja o ex-amor) uma forma de continuar a viver, pois sem amor (dos outros) não sabe viver (traduzindo: DESESPERO para curar a mágoa). Os traumas podem ser muitos e se não superados o magoado pode ter sintomas de não-entrega, ódio, egoísmo, frieza, arrogância (sim, arrogância geralmente nasce em pessoas mal-amadas, principalmente quando elas não têm amor-próprio), tristeza, solidão, insegurança (fique atento! Um “Love Hurted”** não mostra os sentimentos que lhe fazem parecer fraco ou humano diante dos olhos alheios, como os últimos três sentimentos), entre outros sentimentos ruins.

Obs.: Se dois dos sentimentos mencionados forem apresentados e persistirem após três meses da mágoa amorosa, você pode ser um “Love Hurted” procure o terapeuta mais próximo.

Amor, visão II: eis o amor verdadeiro, aquele que superou as decepções e os traumas, neste as duas partes amam quase na mesma quantidade (chega de ilusões! Sempre um ama mais que o outro), os amantes apenas somam em suas vidas mutuamente (havendo discussões sim, mas construtivas, para entrar em acordos), uma relação de lealdade mais do que apenas fidelidade, é o amor amadurecido, amor realista. Companheirismo e respeito são as palavras-chave desta relação amorosa. E o mais importante: cada envolvido se ama, pois antes de poder compartilhar o seu amor com alguém sabe se amar, confiar e acreditar em si.


*Love Hurt: mágoa de amor.
**Love Hurted: magoado por amor.
Ps: Nenhum dado tem base científica, texto criado apenas baseado na opinião de uma ex-Love Hurted (ex?), que ainda acredita no amor, mas que consegue ter essa nova visão dele. Espero que tenham gostado. Beijos e beijocas.

sábado, 26 de junho de 2010

Tudo aquilo e mais um pouco.




Sussurros, gemidos, gritos, risos, sorrisos.
Arranhões, beijos, puxões, chupões.
Mordidas, lambidas, convulsões.
Conversas, discussões, brigas.
Tapas, amassos, abraços.

Amor, desejo, paixão, tensão, descontração.
Suspense, medo, anseio, receio.
Ciúme, dor, possessividade, saudade.
Prazer.

Fazer, temer, revolver, ser.
Amar, sentir, envolver, possuir.
Ofegar, respirar, falar.
Aproximar, separar, revirar.
Encantar, suspeitar, aliviar.
Garantir: amar, sorrir.

Você. Viver.

          

            Vivo! Inconscientemente, procurando entender como vivo sem ter você.
            Vivo! Abundantemente, num vazio sem perceber.
            Vivo! Em meio a uma ressaca, da cachaça que não vou beber.
            Vivo! Esperando o dia que vou voltar a viver.
            Vivo! De instante em instante procurando por você.
            Vivo! Calmamente, um dia após o outro, quase a me render.
            Vivo porque vivo, mas apenas penso em viver com você.
            Vivo, e espero o dia que o “nós” irá novamente acontecer.
            Vivo inquietamente cada momento de aflição tentando não transparecer.

            Vivo! Mas não vivo; sem ter você. Viver...

PS.: Texto não muito recente, mas talvez envolvente para um(a) sentimental (ou romântic@) como eu. ^^

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Desejo


Ê que saudade!
Ê que vontade!
Ê que delírio!
Eu que sugiro, eu que respiro: eu quero.

Não entendes? Então me esqueces!
Não, me aqueces.

Queira-me, incendeia-me, tenha-me.
Ama-me, possua-me.

Eu quero e tenho, eu vivo e transpiro, respiro... penso.

Penso muito, penso demais, penso a mais, penso por te, penso por mim, penso em nós (a sós).
Penso aqui, penso aí.
Apenas penso? Quero sentir.
Quero te sentir, te segurar, acariciar, te absorver, envolver. Te ter.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Só pra refletir...

"Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?" (Fazem? Oo)



            O mundo mudou tanto desde a revolução sexual... (Obrigada Madonna! o/)
            Os “garanhões” nunca mais os vi, e essa ausência acontece ao mesmo tempo em que a presença feminina no meio sexual surge e aumenta exponencialmente com um vigor assombro até, diria. Não existe mais os “pegadores” feitos como antigamente, mas as “pegadoras” estão à solta, soltíssimas. Sobraram os sensíveis e as caçadoras.
            A sociedade ainda insiste em dizer que mulheres fofocam e que homens falam muito sobre sexo, será que essas pessoas conhecem a sociedade real e atual? Pois vejo os homens se importando cada vez mais com a vida alheia, por outro lado, as mulheres morrendo e falando sobre sexo (ou a falta dele) abertamente.
            E a nova geração, que particularmente chamo de “new age”, está vivenciando a tão sonhada liberdade sexual em nível quase europeu. Infelizmente ou não, estão no Brasil, onde as pessoas ainda ligam e têm tempo para se importarem com a vida dos filhos dos outros, pois nossos filhos nunca estão errados, até descobrirmos que eles não são tão anjinhos assim.
            Mas é como aquela música “Como nossos pais”, cantada por Elis Regina que diz “Mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem”, então que deixemos vir as novidades boas e ruins, pois tudo na vida tem os dois lados e que nossas crianças não confundam liberdade com libertinagem, e que se confundirem saibam o que estão fazendo. Pois a vida é pra ser vivida, mas temos que saber viver.


Brollies & Apples em foto: Carolline Bittencourt

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A DOR


A dor da carne sendo dilacerada pelas punhaladas do amor torna-se prazer ao corpo de quem as sente.



Amando sob belas vistas reluzentes do olhar alheio: profano! Bendito és quem cumpre com o prometido, maldito és o decreto (o certo?).





A carne, a alma, o corpo, a mente (você sente?);
O gozo, o sangue, o desgosto, os cabelos, as mãos (que tesão!);
A respiração, a calma, a calma (acalma!).
O sono, a dormência, a saliência...
A VIDA, O AMOR... A DOR.


terça-feira, 25 de maio de 2010

A ditadura continua

          Sempre dizem o que é para ser feito e o que não é.


         Sempre dizem o que é errado e o que é certo. E nós nunca nos questionamos o porquê disso tudo.
        
Quanto mais as pessoas dizem que é errado, mais dá vontade de fazer.

Quanto mais a gente faz, mais a vontade aumenta.

Será que é por isso que as pessoas dizem que é errado?

Não sei... Só estou sabendo que eu, particularmente não sigo regras sociais, faço o que faço; o que quero e acho certo fazer sem prejudicar outrem.

PS.: Eu tinha apenas 13 anos quando escrevi este texto. Que criança esperta! /lalalala

domingo, 23 de maio de 2010

Aparência







        Hoje, depois de quase quatorze anos eu percebi que nós somos obrigados a viver, pensar e agir de formas iguais. Nós somos diferentes, temos dons diferentes. E são essas diferenças que nos tornam únicos.
   
Nesse mundo não podemos ser o que queremos, pois somos altamente criticados pela sociedade: amigos e até mesmo sua família.

    Todos querem que você seja “normal”.
    Que você seja igual.

    Ninguém está interessado no que você é, e sim, no que você parece.

    A aparência sem a presença.

    Para que serve a aparência se não tiver nada em sua cabeça?

    Com um tempo as pessoas vão descobrir que o que vale é o que está dentro de você, e não o que está à mostra. Uma personagem que todos fazem de boba, desinteressante e imatura.

    E o fator disso tudo é o preconceito que ainda, infelizmente, é muito forte na sociedade.

    Todos querem que você seja “normal”.
    Que você seja igual.

sábado, 22 de maio de 2010

Adolescência roubada

          Era uma noite de sábado, eu devia estar com uns treze anos de idade, chovia muito, mas a festa continuava intensamente vibrante. Até certo ponto, quando eu me vi “experimentando” pela primeira vez um líquido fermentado de novidades.
Depois dessa cerveja gelada, fui direto para uma rodinha de “amigos” que estavam bebendo algo parecido com vodca, e ofereceram a mim. Não pude resistir, aparentava ser tão gostoso... Tomei o primeiro gole, não gostei muito, pois ardeu um pouco. A partir do quarto gole estava totalmente fora de mim, senti vontade de não estar ali, queria voltar para casa, estava aflita, não fazia a menor idéia do que estava acontecendo...
Agora é domingo e está cedo, são sete horas da manhã. Estou tranqüila, voltei para casa e estou deitada no meu leito. Não me lembro da hora em que cheguei, nem, ao menos se troquei de roupa para deitar-me.
Dois anos se passaram e essa cena se repetiu por várias vezes. Havia feito quinze anos uma semana antes de ir para uma festa com o meu namorado Estevão. Quando chegamos, a festa já estava completamente repleta de pessoas dançantes e carismáticas. Um amigo de Estevão estava bebendo uísque e fumando um cigarro aparentemente não igual a alguns que vendem em supermercados. Ele me ofereceu os dois “objetos” que estavam em suas mãos, mas eu apenas quis o cigarro. Pobre de mim... Mal sabia onde estava me metendo!
Alguns meses após desse “pequeno” cigarro, fui para um baile próximo a minha casa, me encontrei com pessoas conhecidas e desconhecidas. Foi neste baile que eu conheci o lança-perfume. A partir desta droga conheci o crack e a cocaína.
Com os meus dezessete anos, já havia me relacionado sexualmente com muitos garotos que jamais soube se quer o nome, também estava viciada em muitas drogas, mas minha família nunca desconfiou, pois eu não roubava ou me prostituía para obter drogas, porque eu não precisava, minha família tinha condições.
Em um sábado à noite sai de casa e disse a minha mãe que iria dormir na casa de uma amiga (era mentira, meu objetivo era passar o fim do sábado e o dia de domingo me drogando). Não levava dinheiro comigo, porém estava com meu toca - CDs em um dos bolsos. Meu organismo necessitava de mais drogas, foi quando eu vi um rapaz e lhe ofereci o aparelho eletrônico, ele aceitou e me pagou. Fui, então, ao traficante da região, comprar drogas que eu ainda não havia experimentado: como o esctasy. Quando cheguei ao ponto de venda, aqueles comprimidos de esctasy chamaram a minha atenção.
Eu teria comprado uns seis compridos, não me lembro bem, apenas me lembro que engoli todos que comprei e ao invés de caminhar à luz do luar, voltei para minha casa aconchegante. Esse dia foi o dia mais feliz da minha vida, pois apesar de está com meus sentimentos confusos e longe do meu verdadeiro ser, eu sabia que amava minha família, no instante em que abri a porta, meus pais estavam a minha espera e eu lhes revelei que estava drogada e que era uma dependente química. Eles compreenderam-me e ajudaram-me a lutar contra a dependência.
Hoje tenho vinte e seis anos, continuo me tratando para sair da dependência química, muitas vezes ainda sinto dores, pela falta de drogas no organismo. Não quero que outras pessoas passem pelo que eu passei, pois isto é muito sofrido.
Meu nome é Elisa, mas poderia ser qualquer outro nome, Íris, Mariana, Janaína, Ângela... Qualquer um pode entrar no mundo das drogas, mas nem todos conseguem sair.

E apenas para deixar o clima de depressão..

... e vir o clima romântico. Um textículo sem título.


                 Gostaria de mostrar-te todo meu amor e sua complexidade em gestos sutis, diante de tua face e ao meu toque submeter-te ao imenso prazer da carne e ao mesmo tempo à ternura e à paz dos encontro de nossas almas.

Solitária como sempre

          Estou sozinha no meu quarto.
          A porta está trancada.
          Meus pais estão dormindo
 E eu não tenho com quem conversar.

São duas horas da manhã e eu ainda estou acordada, precisando de carinho.

          Sinto um desejo enorme de me libertar, de sair de casa e tentar “voar”.

Estou sozinha neste mundo. No meu mundo.
Num mundo de reflexão e desejos.
Desejos que nunca passam de sonhos.
Sonhos que são eternos.
Eternidade que é inevitável.

         Sinto um enorme desejo de me libertar, de sair de casa e tentar “voar”.

Estou aqui sozinha, triste e carente.
Carente de amizade e de diversão.

Diversão que só tenho quando estou com meus amigos.
Amigos que só os tenho em momentos de diversão.

         Sinto um enorme desejo de me libertar, de sair de casa e tentar “voar”.

     Hoje, mais uma vez, tentei fazer o que muitas pessoas no mundo já fizeram ou tentaram fazer: tirar a própria vida.
Mas percebi que há pessoas em algum lugar que me amam e precisam de mim, ou apenas da minha companhia, um carinho ou uma palavra de conforto.
Mas eu não tenho mais esperanças, estou neste mundo, apenas por estar, por isso me sinto presa.
E é por isso que eu quero me libertar. Sair de casa e tentar “voar”.

Voar para o horizonte, para perto das pessoas que me amam. Simplesmente para saber se perto dessas pessoas está a minha felicidade, que tanto quero neste momento.

Eu vou me libertar. Sair de casa e tentar “voar”, assim que eu puder me amar.