Era uma noite de sábado, eu devia estar com uns treze anos de idade, chovia muito, mas a festa continuava intensamente vibrante. Até certo ponto, quando eu me vi “experimentando” pela primeira vez um líquido fermentado de novidades.
Depois dessa cerveja gelada, fui direto para uma rodinha de “amigos” que estavam bebendo algo parecido com vodca, e ofereceram a mim. Não pude resistir, aparentava ser tão gostoso... Tomei o primeiro gole, não gostei muito, pois ardeu um pouco. A partir do quarto gole estava totalmente fora de mim, senti vontade de não estar ali, queria voltar para casa, estava aflita, não fazia a menor idéia do que estava acontecendo...
Agora é domingo e está cedo, são sete horas da manhã. Estou tranqüila, voltei para casa e estou deitada no meu leito. Não me lembro da hora em que cheguei, nem, ao menos se troquei de roupa para deitar-me.
Dois anos se passaram e essa cena se repetiu por várias vezes. Havia feito quinze anos uma semana antes de ir para uma festa com o meu namorado Estevão. Quando chegamos, a festa já estava completamente repleta de pessoas dançantes e carismáticas. Um amigo de Estevão estava bebendo uísque e fumando um cigarro aparentemente não igual a alguns que vendem em supermercados. Ele me ofereceu os dois “objetos” que estavam em suas mãos, mas eu apenas quis o cigarro. Pobre de mim... Mal sabia onde estava me metendo!
Alguns meses após desse “pequeno” cigarro, fui para um baile próximo a minha casa, me encontrei com pessoas conhecidas e desconhecidas. Foi neste baile que eu conheci o lança-perfume. A partir desta droga conheci o crack e a cocaína.
Com os meus dezessete anos, já havia me relacionado sexualmente com muitos garotos que jamais soube se quer o nome, também estava viciada em muitas drogas, mas minha família nunca desconfiou, pois eu não roubava ou me prostituía para obter drogas, porque eu não precisava, minha família tinha condições.
Em um sábado à noite sai de casa e disse a minha mãe que iria dormir na casa de uma amiga (era mentira, meu objetivo era passar o fim do sábado e o dia de domingo me drogando). Não levava dinheiro comigo, porém estava com meu toca - CDs em um dos bolsos. Meu organismo necessitava de mais drogas, foi quando eu vi um rapaz e lhe ofereci o aparelho eletrônico, ele aceitou e me pagou. Fui, então, ao traficante da região, comprar drogas que eu ainda não havia experimentado: como o esctasy. Quando cheguei ao ponto de venda, aqueles comprimidos de esctasy chamaram a minha atenção.
Eu teria comprado uns seis compridos, não me lembro bem, apenas me lembro que engoli todos que comprei e ao invés de caminhar à luz do luar, voltei para minha casa aconchegante. Esse dia foi o dia mais feliz da minha vida, pois apesar de está com meus sentimentos confusos e longe do meu verdadeiro ser, eu sabia que amava minha família, no instante em que abri a porta, meus pais estavam a minha espera e eu lhes revelei que estava drogada e que era uma dependente química. Eles compreenderam-me e ajudaram-me a lutar contra a dependência.
Hoje tenho vinte e seis anos, continuo me tratando para sair da dependência química, muitas vezes ainda sinto dores, pela falta de drogas no organismo. Não quero que outras pessoas passem pelo que eu passei, pois isto é muito sofrido.
Meu nome é Elisa, mas poderia ser qualquer outro nome, Íris, Mariana, Janaína, Ângela... Qualquer um pode entrar no mundo das drogas, mas nem todos conseguem sair.