sábado, 30 de outubro de 2010

Século XXI



Como falar de amor
nessa era tão vendida?
Tão infame, tão bandida?


Amor para os pobres é banal,
para os românticos, imortal.
Pobres sim, mas de espírito.
Os ricos veem além do visto.

Meu irmão consegue dizer não
para as coisas do coração.
Minha irmã, pobrezinha,
nem sabe o que se faz na linha.

Alienados e baratos.
Loucos, porém sensatos.
Grupos, um diferente do outro:
aquele acredita no material e no carnal,
esse ainda é sentimental.


Medo, pois tenho eu
do amor acabar.
da vida ser vazia
(espero que não seja a minha).

Medo, pois tenho eu
de não aprender nenhuma lição,
de não ter o que passar da vida
para outra geração.

Quero a felicidade e o bem-estar,
quero ver os jovens a caminhar
numa luta pelo amor e pela paz.
Quero ver vida nos olhos dos mortais.

Quero uma vida cheia de emoção.
Que sofra! Mas que seja completa, então.
Que se desviar do sofrimento,
é se desviar do crescimento.

Quero que o mundo faça sentido.
Quero que meus netos saibam disto:


que a vida é próspera e bela,
mas que a beleza é mais simples do que se espera.